Fortalezas da UFSC ganham destaque em episódio especial da série “500 Anos de Santa Catarina: Uma História”
As fortalezas administradas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) são tema do quarto episódio da série 500 Anos de Santa Catarina: Uma História, exibido em 24 de junho no programa Balanço Geral Florianópolis e disponível no YouTube e na plataforma ND Play. A produção apresenta o sistema defensivo construído no século XVIII para proteger a Ilha de Santa Catarina e reúne entrevistas com integrantes do Departamento das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina (DFISC), vinculado à Secretaria de Cultura, Arte e Esporte (SeCArtE/UFSC).
Com curadoria de quatro professores e historiadores de diferentes regiões do estado, a série dedica cada episódio a um capítulo da formação de Santa Catarina, abordando desde a presença dos povos originários até as disputas coloniais que marcaram o litoral catarinense. O quarto episódio, “Território disputado: Fortes, Fronteiras e Soberania”, é dedicado ao sistema de fortificações implantado na Ilha de Santa Catarina.
A reportagem percorre as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim, São José da Ponta Grossa, Santo Antônio de Ratones e o Forte Santana do Estreito, recuperando o contexto que transformou a região em um dos pontos estratégicos do Atlântico Sul. Em 1738, sob o comando do brigadeiro José da Silva Paes, foi criada a Capitania de Santa Catarina em meio à pressão espanhola vinda do Rio da Prata, consolidando as fortalezas como principal estratégia de defesa do território.
Durante a visita à Fortaleza de São José da Ponta Grossa, o administrador do Departamento das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, Juan Airton Santos — à época das gravações coordenador do setor — explica que a escolha do local estava diretamente relacionada à posição estratégica da construção. “Aqui é o ponto mais alto da ilha e tem uma ampla visão de tudo”, afirma. Segundo ele, além de alojar a tropa, o quartel também era utilizado para armazenar artilharia e mantimentos.
Além da importância militar, o episódio destaca o valor arquitetônico e paisagístico das fortificações. A arquiteta e urbanista do DFISC, Marília Gabriela de Oliveira, ressalta que a relevância desses bens está tanto na arquitetura quanto na relação estabelecida com a paisagem natural que os cerca, característica que contribui para sua singularidade e preservação.
Ao longo da história, essas construções também estiveram associadas a outros acontecimentos marcantes, como a Revolução Federalista, quando a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim foi palco de um dos episódios mais sombrios da história republicana catarinense.
A reportagem também apresenta o trabalho desenvolvido atualmente pela UFSC na preservação e na difusão desse patrimônio. A secretária de Cultura, Arte e Esporte da Universidade, Andrea Búrigo Ventura, destaca as ações de educação patrimonial realizadas nas fortalezas, que recebem estudantes, escolas e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. Segundo ela, essas iniciativas contribuem para “mostrar ao mundo o que a gente tem aqui, que é tão grandioso e tão bonito”.

Visita técnica com o curso de Arquitetura e Urbanismo UFSC na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim
O Departamento das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina é responsável pela guarda, manutenção e conservação das fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim, São José da Ponta Grossa e Santo Antônio de Ratones, administradas pela UFSC. As fortificações são importantes exemplares da arquitetura militar colonial brasileira, adaptadas à topografia local e ao uso estratégico dos materiais disponíveis. Em 1938, foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Além da preservação física dos monumentos, o DFISC desenvolve projetos de educação patrimonial voltados à valorização das referências culturais associadas às fortalezas e à formação de estudantes, professores e demais públicos, fortalecendo o vínculo entre patrimônio, pesquisa, ensino e extensão.


